Por intermédio dos espaços virtuais que os exprimiriam, os coletivos humanos se jogariam a uma escritura abundante, a uma leitura inventiva deles mesmos e de seus mundos(...) poderemos então pronunciar uma frase um pouco bizarra, mas que ressoará de todo seu sentido quando nossos corpos de saber habitarem o cyberspace: “Nós somos o texto.” E nós seremos um povo tanto mais livre quanto mais nós formos um texto vivo.
Pierre Lévy

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pré-sal e desenvolvimento sustentável - proposta de Redação da UFOP

O Pré-Sal e o desenvolvimento sustentável

por Carlos Pacheco

A descoberta de petróleo na camada denominada Pré-Sal tem chamado a atenção do mundo inteiro. Isso não é por acaso. Economicamente e estrategicamente esse fato pode ser encarado como uma das grandes descobertas de recursos naturais economicamente exploráveis dos últimos tempos. Além disso, trata-se da descoberta de uma imensa riqueza em terras de um país corriqueiramente denominado de "em desenvolvimento". O fato de existir petróleo a ser explorado em grande quantidade no fundo do Atlântico torna o Brasil como aspirante a membro da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), colocando-o tranquilamente entre os dez maiores produtores de tal produto. [...] Por ser um recurso natural não renovável, o mundo já preocupava-se (sic) com a necessidade de substituição de tal matriz [...]. Os iniciais 5 a 8 bilhões de barris e possivelmente até 80 bilhões de barris caíram como uma bomba destruindo todas as previsões de um fim muito próximo das reservas mundiais. O preço do barril de petróleo, que estava nas alturas, hoje já não preocupa tanto. Sem sombra de dúvidas, economicamente o Brasil dá um salto importante em uma época estratégica, onde (sic) o "milagre do crescimento dá as caras" e as reservas de outros importantes exportadores do produto já não são tão grandes.
No entanto, uma coisa me preocupa. É notório e ratificado que os principais efeitos relacionados às mudanças climáticas globais são advindos, em grande parte, do uso de combustíveis fósseis. A utilização de matrizes energéticas mais limpas vem sendo apontada como a única saída disponível para obter-se um desenvolvimento econômico e ambiental concomitantes. Em outras palavras, o tão falado desenvolvimento sustentável. O Brasil sempre foi visto com bons olhos no cenário mundial pela utilização de biocombustíveis e também pela possibilidade de geração de energia hidroelétrica, solar e eólica. Mas e agora? Com a descoberta dessa imensa jazida de petróleo, será que os olhos dos governantes brasileiros continuarão voltados para o desenvolvimento dessas fontes energéticas "mais limpas"? Sinceramente, tenho minhas dúvidas. Governos diferentes passarão ao longo da exploração do pré-sal e, nesse sentido, não sabe-se (sic) que uso se dará ao mesmo. [...] Resumindo, a descoberta do petróleo do pré-sal pode retardar a busca por novas matrizes energéticas, o que, por sua vez, provavelmente retardará o alcance dessas novas tecnologias limpas.

Para finalizar, volto a ratificar a importância dessa descoberta, colocando o Brasil definitivamente como um dos protagonistas do cenário mundial. (...) Porém, ambientalmente me preocupa o modo como essa riqueza será administrada. É necessário encontrarmos um ponto de equilíbrio entre a riqueza proveniente de tal recurso e a responsabilidade ambiental brasileira. E essa última, por sua vez, não pode estar só relacionada ao país em si. Ela deve estar intimamente ligada também com o planeta como um todo, afinal de contas, as mudanças são globais e não locais.

(Disponível em: . Acesso em: 09 Set. 2009.)

Nesse texto, apresentado no fórum de discussões sobre mudanças climáticas promovido pelo site “scienceblogs”, o autor apresenta a descoberta de petróleo na camada “pré-sal” como algo que, apesar de importante para o desenvolvimento econômico brasileiro, pode contribuir para o adiamento da busca das chamadas matrizes energéticas “limpas”. Assim que foi postado, houve várias intervenções de internautas tecendo comentários sobre o texto de Carlos Pacheco. Coloque-se também como um desses internautas e redija uma carta argumentativa, dirigida ao autor do referido texto, em que você faça uma análise da questão com base nos argumentos por ele apresentados e em seus conhecimentos sobre o assunto.

Atenção: você deve assinar a carta com a expressão: “Um internauta”.


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